sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Ênfase na educação faz oposição questionar escolha de Cid para o MEC



Em seu discurso de posse, proferido ontem (1º), no plenário da Câmara dos Deputados, a presidente Dilma Rousseff (PT) apresentou o novo lema de seu governo: “Brasil, Pátria Educadora”.

A ênfase na educação como “prioridade das prioridades” colocará em evidência o trabalho do ex-governador do Ceará e agora ministro da Educação, Cid Ferreira Gomes (PROS). Estar no comando da pasta com maior relevo político do governo e com o segundo maior orçamento da União pode, a médio e longo prazo, cacifar Cid para a realização de seu maior e mais ambicioso desejo: concorrer à Presidência da República. 

A reação imediata ao discurso, no entanto, não foi positiva para o cearense. Neste primeiro momento, a mídia, a oposição e até alguns aliados ressentidos buscam encontrar brechas e contradições nas palavras e nos gestos da presidente.    

“Dizer que vai priorizar a educação enquanto usa a pasta para composição política mostra o total descaso com educadores e alunos”, disse o deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP).

Além do tucano, o portal da Revista Veja e o jornal Folha de S.Paulo também consideraram a indicação de Cid Gomes para o comando do MEC como uma contradição ao lema apresentado por Dilma. 

A revista elencou “Dez frases do discurso de Dilma que ficaram mal explicadas” e apontou a escolha do novo ministro como a segunda maior incoerência no discurso presidencial, perdendo apenas a crítica da presidente à corrupção na Petrobras. Para a Veja, “ficou mal explicado” a petista ter tirado o comando da pasta prioritária de seu governo das mãos de seu partido para usá-la “como moeda de troca eleitoral”.

Por fim, ao analisar a fala de Dilma na posse, a Folha de S.Paulo destacou como ‘maior exemplo’ das ‘tradicionais ironias da oratória política’ o “anúncio de um mote de governo envolvendo educação no momento em que o ministério da área foi loteado na bacia das almas para um aliado sem qualquer intimidade com o tema”.

Antecipando a resposta às críticas vindouras, Cid Gomes afirmou, em visita à Esplanada dos Ministérios, em Brasília, na última sexta-feira (29), que não foi escolhido para ser ministro da Educação por ser um dos principais expoentes do PROS, mas sim, por seu perfil de gestor.

"Fui convidado [para assumir o MEC] pela presidente, que tem lá suas preferências. Não foi por causa do Pros, que é muito pequeno. Não fui escolhido por uma questão partidária", disse à reportagem do jornal Estado de S. Paulo.

Ainda sobre o assunto, o novo ministro disse que, como assumiu o pasta técnica, irá se abster de fazer comentários políticos.

Contrariando a severa crítica da Folha, assinada por Igor Gielow, diretor da sucursal do jornal em Brasília, o ex-governador possui notabilidade na área que comandará. O bem-sucedido Programa Alfabetização na Idade Certa (Paic), criado pelo Governo do Estado do Ceará, inspirou o Governo Federal na criação de um programa nacional de ensino, o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC). Além disso, a cidade de Sobral, berço dos irmãos Ferreira Gomes, é vista como um caso de sucesso na implantação de políticas educacionais no País, registrando bons índices.

Em contrapartida, o tratamento destinado aos professores do Estado em greve durante o governo de Cid sempre foi alvo de críticas. Em 2011, o confronto entre professores da rede estadual de ensino e policiais do Batalhão de Choque, na Assembleia Legislativa, ganhou destaque nacional. Três professores que faziam greve de fome afirmaram que foram agredidos por policiais.

Mais recentemente, a afirmação de Cid Gomes de que o professor de escola pública deveria trabalhar por amor, não por dinheiro, também foi fortemente criticada, principalmente por professores que, à época, estavam em greve pela aplicação do piso para os profissionais de nível médio, graduados e pós-graduados. “Quem quer dar aula faz isso por gosto, e não pelo salário. Se quer ganhar melhor, pede demissão e vai para o ensino privado”, disse.

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